Jackson do Pandeiro também transitou pelo choro


Leonor Bianchi

Ontem, 31 de agosto, todos os cadernos de Cultura dos grandes jornais do Brasil e até alguns veículos de comunicação de outros países publicaram matéria sobre o Rei do Ritmo, Jackson do Pandeiro cujo centenário de nascimento foi celebrado nesta data. Seria redundante escrever mais um artigo falando sobre a biografia desse pandeirista, ritmista, cordelista nordestino genial, que foi Jackson do Pandeiro.

Então, para não ser repetitiva, vamos focar naquilo que sempre nos interessa: qual relação Jakson teve com o choro, ritmo um tanto quanto distante de sua vivência e prática musical? Pouca, mas teve, como nós contam os jornalistas Fernando Moura e Antônio Vicente, que escreveram a biografia do Paraibano José Gomes Filho, de Lagoa Grande, intitulada “Jackson do Pandeiro, o Rei do Ritmo” (Editora 34, 2001).

No livro, os autores afirmam que “Jackson transitava do forró ao samba, passando por todos os seus subgêneros, como o baião, xote, xaxado, coco, arrasta-pé, frevo, enfim, tudo o que tivesse batuque, com extrema autenticidade, imprimindo um nova cadência aos ritmos, que já no início do século XX, se apresentavam como a base sonora por qual seguiria a música popular brasileira nos anos seguintes”.

Ainda, o jornalista especializado em cultura Nabor Junior nos conta que:

‘Filho da cantadora de coco Flora Maria da Conceição, Jackson cresceu ouvindo e tocando coco, fazendo “forró quentinho”, como dizem na Paraíba. No início da vida adulta, já na cidade de Campina Grande, frequentou o famoso Cassino Eldorado, onde tomou contato com ritmos como o blues, jazz, chorinho, maxixe, rumba, tango e o samba. Também frequentou, durante determinado período da carreira, terreiros de candomblé, não em razão da sua crença, mas para ouvir e ver de perto as batucadas que de lá ecoavam. Além do talento nato de Jackson, essas experiências foram sem dúvidas fundamentais para transformar o que era para ser apenas mais um “Zé da Paraíba” em um dos maiores expoentes da influência rítmica negra na música nordestina” (Nabor Jr, 2010).

imprensabr
Author: imprensabr