Tonico e Tinoco em choro


Leonor Bianchi

Tonico e Tinoco em choro? Exatamente, foi isso mesmo que você leu. Neste podcast gravado com exclusividade para a Revista do Choro, o músico e produtor musical Ivan Melillo, idealizador do projeto ‘Gente do Centro toca Tonico e Tinoco em Chorinho’ nos conta como surgiu a ideia de gravar a dupla em choro. Antes de levá-los direto ao podcast, vou abrir um parágrafo para falar muito rapidamente sobre quem são Tonico e Tinoco através do meu colega de profissão José Elias Mendes, que escreveu um artigo sobre os irmãos sertanejos de maior sucesso da história para a Revista Cifras.

“A dupla caipira foi pioneira no Brasil e fez história em seus 64 anos de carreira, deixando números impressionantes e modificando significativamente a maneira em que se fazia música no país.

Na ativa entre 1930 e 1994, Tonico e Tinoco fizeram tanto sucesso que figuram, ainda hoje, no top 10 dos artistas que mais venderam discos no Brasil, com inacreditáveis 50 milhões de cópias. Eles só perdem para nomes como Roberto Carlos, Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Rita Lee e Benito di Paula.

Considerando apenas o gênero sertanejo, a dupla é a recordista em vendas e os segundos colocados, Chitãozinho e Xororó, estão longe de alcançar a marca, com “apenas” 37 milhões. Os números de Tonico e Tinoco são tão expressivos que eles chegam a aparecer nas listas de recordistas em vendas em todo o mundo.

Além do inegável sucesso, o número tem outra explicação: trabalho duro. Em tanto tempo de carreira, a dupla chegou a realizar quase 1 mil gravações no total, que foram divididas em 83 discos. Além disso, durante o período de estrada, Tonico e Tinoco realizaram o montante de aproximadamente 40 mil shows.

Seus sucessos mais conhecidos incluem as músicas ‘Estrada da Vida‘, ‘Canta Moçada‘, ‘Chalana‘, ‘Tristeza do Jeca‘, ‘Baile na Roça‘, ‘Moreninha Linda‘ e ‘Chico Mineiro‘, entre inúmeras outras. Suas clássicas modas de viola são relembradas e respeitadas ainda hoje pelos artistas da atualidade, que regravam seus sucessos e entoam suas canções em shows ao vivo.

Nos anos 80 quando as guitarras e os teclados invadiram um ambiente da música sertaneja a dupla seguiu fazendo música de raiz com vertente realmente sertaneja e talvez tenha sido isso sua maior contribuição ao repertório do cancioneiro sertanejo que conhecemos hoje no Brasil.
De Irmãos Pérez a Tonico e Tinoco
Caipiras de origem e de fato, João e José, os irmãos Pérez chegaram na cidade grande na década de 1940 vindos do interior de São Paulo. Antes disso a música começou como um hobby, e a primeira apresentação profissional da dupla aconteceu na festa de Aparecida de São Miguel, no dia 15 de agosto de 1935. Depois eles cantaram em círculos, festas e participaram de um concurso de rádio, o qual venceram e conseguiram gravar o seu primeiro disco em 1944. Na ocasião receberam do produtor musical capitão Furtado o nome que lhes acompanharia por toda sua trajetória: Tonico e Tinoco. Os primeiros sucessos da dupla vieram logo depois: ‘Percorrendo o meu Brasil’, Cana Verde, e ‘Canoeiro’.
Tonico e Tinoco

Tonico e Tinoco (década de 1940)

https://www.recantocaipira.com.br/
Posteriormente, conhecidos como a ‘Dupla do coração do Brasil’, Tonico e Tinoco praticamente criaram o estilo de cantar caipira emplacaram sucessos. Os dois também foram uma das atrações musicais da primeira transmissão de televisão do Brasil, em 18 de setembro de 1950, na extinta TV Tupi.
Além de discos e shows, a dupla chegou a fazer cinema e apresentou programas de rádio por mais de duas décadas onde cunharam o bordão ‘É lasqueira! Eles também chegaram a apresentar programas de televisão em diversas emissoras, como a TV Bandeirantes SBT e TV Cultura.
Em 1994 a dupla se desfez uma morte de Tonico. João Salvador Pérez faleceu no dia 13 de agosto ao cair da escada do prédio onde morava. O último show foi na cidade mato-grossense de Juína, em 7 de agosto daquele ano.
Tinoco, seu irmão mais velho, ainda cumpriu o contrato de shows e fez cerca de 30 apresentações sem o irmão. Posteriormente seguiu carreira solo ao lado de seu filho, Tinoquinho. Em 2012 Tinoco tornou-se o artista sertanejo há mais tempo na ativa, até que, em 4 de maio daquele ano morreu aos 91 anos de idade por insuficiência respiratória e duas paradas cardíacas. 
Desconhecida por muita gente, mas consagrada por tantos outros fãs, a dupla conta com um importante acervo histórico guardado no depósito do Arquivo Histórico Municipal de Guarulhos, em São Paulo. As peças incluem objetos de uso pessoal, como chapéus e calças coloridas usadas por eles em shows, folders antigos, discos, revistinhas, troféus e muitas fotos. O material riquíssimo foi doado pela própria dupla ainda nos anos de 1970, e apesar de terem se passado 20 anos em exposição, hoje este acervo está acumulando poeira, sem previsão para retornar ao acesso público.
Gente do Centro toca Tonico e Tinoco em chorinho

Recentemente, o flautista Ivan Melillo, nascido na cidade de São Manuel/ SP, a mesma região dos músicos sertanejos Tonico e Tinoco, teve a ideia de prestar uma homenagem à dupla por sua contribuição ao repertório do cancioneiro brasileiro com a gravação do trabalho Gente do Centro toca Tonico e Tinoco em chorinho.

photo5022031025454295250

Este ano, Ivan, que é o músico, flautista, venceu o Festival de Música da Rádio MEC com sua composição ‘La Ciba no te Quiero Más’ , na categoria Música Instrumental.

O lançamento do projeto aconteceu no dia 19 de novembro em diversas plataformas digitais pelo selo fonográfico do seu idealizador, o Atotô Label.

Para ouvir ‘Gente do Centro toca Tonico e Tinoco em chorinho’ acesse:

Spotify
Deezer
YouTube Music
Tidal
Apple Music

Mais informações

https://www.facebook.com/atotolabel/
https://www.facebook.com/IvanMMelillo
https://www.facebook.com/gentedocentro

OUÇA O PODCAST COM IVAN MELILLO

Fomente!

Assine a Revista do choro!

Para assinar clique aqui.