A editora da Revista do Choro e o festival de jazz e blues de Rio das Ostras


Leonor Bianchi

Por muitos anos cobri o festival de jazz e blues de Rio das Ostras, que teve mais uma edição encerrada ontem com um show espetacular do bandolinista e chorão Hamilton de Holanda na lagoa de Iriri, que quando eu era criança a gente chamava de lagoa da coca-cola por causa da cor da água iodada.

Para quem não sabe eu tenho casa em Rio das Ostras desde sempre. Cresci nadando na lagoa, nas praias da cidade, e vi o festival de jazz e blues ser criado.

Nas primeiras edições a gente curtia o festival na areia, o palco era um deck de madeira na areia da praia. Depois criaram o phodástico palco em cima da pedra da praia da Tartaruga.

Nesse vídeo eu falo um pouco sobre minha memória – de forma bem rápida; não me preparei para fazer esse vídeo; liguei o play rack e gravei, mas tem muita coisa pra falar sobre o festival.

Vendo alguns vídeos do espetáculo do Hamilton de Holanda nesse último festival de jazz e blues me lembrei que eu trabalhava na imprensa local durante um período em que o secretário de Comunicação de Rio das Ostras, secretaria diretamente ligada à produção, realização e patrocínio do festival de jazz e blues na época em que eu trabalhava lá, era uma pessoa que tinha caído na cidade de paraquedas vinda de Brasília e tocava bandolim no Clube do Choro de Brasília. Nessa época eu jamais imaginaria ser editora da Revista do Choro.

Eu cobri o festival por muitos anos para muitos veículos de comunicação do Brasil e de outros países, conheci muitos músicos, muitos profissionais de jornalismo, de música, gente do palco, do backstage. Assisti espetáculos que jamais assistiria, pois como todos sabem detesto avião e morando no interior como eu moro há muitos anos seria impossível ver de perto músicos que eu vi não fosse o festival de jazz e blues de Rio das Ostras.

Mesmo com todas as implicações em nível sócio-político, economico e cultural que o festival coloco para a cidade, ele é positivo, mas até hoje não deixou nenhum legado sólido para a comunidade local. O festival é válido, claro, o povo precisa de arte, cultura, educação, e o artista quer e precisa também trabalhar e mostrar sua arte, tão necessária a todos nós, público, mas o jazz e blues ainda precisa amadurecer muito e deixar efetivamente um retorno para o cidadão mais humildade da cidade que nem sabe o que é jazz e blues.

Rio das Ostras se transformou numa grande comunidade carente litorânea. Hoje está invadida por facções criminosas e dominada por milicianos. É uma cidade que sobrevive do arranjo produtivo do petróleo e gás da Bacia de Campos, muito mais do que do turismo. Um município sem governança, com todos os seus prefeitos cassados impugnados com centenas de processos nas costas, onde está instalada uma universidade pública federal desde 2004, e onde a política do lobby ainda impera.

Trabalhar cobrindo durante tanto tempo o festival de jazz e blues de Rio das Ostras foi uma experiência fantástica, que carregarei comigo pra sempre, e que, com certeza me deu, me dá expertise para editar a Revista do Choro.

Na foto do artigo eu estou ao lado do produtor do festival, Stênio Mattos. Foi a última vez que fui ao festival; 2016.

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