Os Pensadores do Choro


 Leonor Bianchi

Quando pensei em fazer um prêmio literário voltado para o choro tive a intenção de atrair novos e antigos pesquisadores e pensadores do choro; daí o nome ser Pensadores do Choro. O que me surpreendeu foi o fato de todos os textos e artigos que recebemos serem de jovens instrumentistas. Não apareceram nomes que estão pesquisando o choro há uma, duas, três, quarto décadas. Não apareceu ninguém conhecido. Contudo, ao mesmo tempo em que o fato causou surpresa, era exatamente isso o que eu queria: conhecer, saber quem eram as mentes que estariam hoje no Brasil pensando o choro, pesquisando o gênero.

O edital Pensadores do Choro foi aberto em outubro de 2014 pela e-ditora, hoje Editora Pizindim] em parceria com a Revista do Choro (www.revistadochoro.com) com a proposta de difundir o choro através de materiais literários, uma vez que há pouca literatura, bibliografia sobre o gênero. O prêmio literário contemplou autores nas categorias ‘Crônicas e Memórias’ e ‘Instrumentos no Choro’. Em dezembro desse mesmo ano eu já sabia os nomes dos autores que teriam seus textos publicados no livro proposto pelo prêmio: Sergio Aires, de João Pessoa, e Vanessa Trópico, de Belém, embora o resultado só tenha sido divulgado publicamente em fevereiro de 2015.

A ‘banca’ que selecionou os textos foi composta por mim. Confesso que nunca quis assumir esse papel de ‘júri’, mas também não tive como fugir dele. O peso da responsabilidade aumenta na proporção em que nossas ideias tornam-se mais ousadas. Natural. Tive que dar conta do que tinha inventado. E acho que estava, estou afiada e afinada com meu tempo e com as leituras que venho fazendo, pois penso ter acertado quando da escolha dos textos que foram publicados no livro Pensadores do Choro. Continue lendo e entenderá porque digo isto.

O que observei durante o processo de seleção dos artigos inscritos do edital

Na avaliação dos materiais que recebi, prestei atenção ao tema escolhido pelo autor, a originalidade do mesmo, seu ineditismo, a criatividade na narrativa, além de duas coisas que considerei mais importantes neste ‘processo de avaliação’: a capacidade de entreter do texto e ao mesmo tempo de informar, educar e transmitir conhecimento ao leitor.

Acredito que tenha acertado na ‘seleção’, pois o livro ganhou cena no meio do choro e teve apreciação de nomes importantes, como o do bandolinista Izaias Bueno (SP), Hermeto Pascoal (RJ), Luciana Rabello (RJ), e inúmeros pesquisadores e professores de música no Brasil, USA, França, Japão, Portugal, Itália, Espanha, Alemanha, além de tantos outros admiradores do choro. Muitos, depois de lerem o livro, enviaram email para e-ditora] e para a Revista do Choro a fim de expressar suas opiniões a respeito do projeto editorial, da ideia do edital e dos textos que foram escolhidos, sempre de forma positiva, motivando-me a promover um segundo prêmio literário depois deste; o que pretendo fazer.

Pensadores do Choro na imprensa nacional

O livro virou pauta em veículos de comunicação respeitados, de circulação nacional, regional e local. Foi pauta na TV, rádio, em revista e jornal impresso, além, é claro, de ser notícia em dezenas de informes online de Clubes do Choro Brasil à dentro e mundo à fora. Também percorreu festivais de choro em diferentes estados brasileiros ao longo de 2015, e ainda está circulando pelas rodas. 

Distribuição em outros países

Recebi um convite para lançar o livro através de um projeto de uma universidade americana e outro para traduzir a obra para o francês. Há convites de editoras de Portugal e Itália interessadas traduzir e distribuir o livro nesses países. Estou estudando todas as propostas. 

Novos chorões, novos Pensadores do Choro… e um segundo edital em breve

Ainda iniciando sua relação com o choro, os autores contemplados pelo edital, Vanessa Trópico e Sergio Aires nos contam agora como foi o processo de elaboração de seus artigos e como o livro Pensadores do Choro os motivou a seguir na pesquisa e estudo do choro um ano depois do resultado do editar ter sido divulgado.

Temas abordados chamaram a atenção

Os temas tratados por eles também nos chamaram muita atenção, pois eram histórias pessoais, vividas por ambos em suas realidades tão distintas de vida. Acreditávamos que os trabalhos que chegariam para o edital fossem tratar de Jacob do Bandolim, Pixinguinha, algum grupo de choro tradicional, alguma nova técnica de ensino e estudo do choro,mas não, nada disso. Vanessa debruçou-se sobre a obra de um compositor e bandolinista de choro ainda pouco ou quase nada conhecido, inclusive por quem já está na ‘roda’ há bastante tempo: o marajoara Adamor do Bandolim. Para falar do Mestre Chorão que há décadas desenvolve um trabalho belíssimo em prol da valorização e difusão do choro no estado do Pará e tem mais de 60 composições criadas por ele, que nunca frequentou uma escola de música, ela localizou o leitor no contexto do Marajó, das dificuldades enfrentadas pelos brasileiros que nascem neste pedaço de Brasil para sobreviver com dignidade; dedicou espaço para falar do maior projeto de choro que existe hoje no Pará, a Orquestra de Choro do Pará, não esquecendo de elencar os tantos músicos que levam o projeto adiante com a paixão de verdadeiros militantes do choro no Norte do país. Seu trabalho nos despertou para um Brasil de inúmeros sotaques, onde o choro se faz presente com sua força e tradição, independentemente de fronteiras geográficas e preconceitos culturais. Em seu texto o leitor entra em contato com a história do choro no Pará; conhece as personagens que contam essa história, e passa valorizar a mesma de forma que sua vontade é saber mais sobre como um gênero que está tão presente no Sudeste pode ser tão forte e presente nas tradições culturais do Norte, e deixa-nos uma pulga atrás da orelha: – Como ninguém nunca escreveu sobre isso antes…? Onde estava o choro no Pará durante todo esse tempo? Onde estava Adamor do Bandolim aqui para os jornalistas de cultura do Rio, de São Paulo, de Curitiba, de BH?

Sergio Aires leva o leitor para outra realidade, lançando-nos nos desabafos e pensamentos confessados ao seu diário, o qual ele começou a escrever durante uma viagem para o continente africano. Na África, longe de casa, foi que ele parou para ouvir com mais atenção o gênero Choro. Sua relação com a música e com o choro se aprofundou depois dessa estada na África, uma viagem que mudaria para sempre sua vida.

Por fim, as mensagens que ficam do prêmio literário Pensadores do Choro são muitas, porém, a que mais me chama atenção é a de que mesmo quando algo possa parecer impossível de realizar, se fizermos com crença, com verdade, com amor, com coerência e bom-senso nada nos impedirá de chegar a um excelente resultado ao final. E o excelente ao qual me refiro não está vinculado pura e simplesmente à forma, à questão estética da ‘coisa em si’, mas sim pertence ao mundo das ideias e dos ideais.

O melhor de tudo foi ainda ter dado a sorte de encontrar Vanessa Trópico e Sergio Aires neste longo caminho que é a vida. Pessoas por quem ‘logo de cara’ nutri grande admiração e respeito. Torço para que eles conquistem cada vez mais seu tempo e seu espaço neste imenso universo musical e que estejam sempre pensando o choro, cada qual em suas realidades, com seus saberes, suas experiências… pois a bibliografia sobre choro ainda é muito curta e se permanecerem neste rumo, certamente serão escritores brilhantes e conseguiram dialogar com muita gente boa que também quer pensar o choro.

A arte da capa

Merece destaque neste processo todo, ainda, a arte da capa do livro, do artista plástico Reynaldo Berto (SP). A arte é inspirada na tela ‘Chorinho’, de Cândido Portinari, e muitas pessoas pensam erroneamente que trata-se desta tela.

capa pensadores do choro reynaldo berto

A seguir você lerá a entrevista que Vanessa Trópico e Sergio Aires concederam à Revista do Choro – ela, por áudio, de Belém; e ele por vídeo, através da internet, de João Pessoa, quando do lançamento do livro, em maio do ano passado, e qual o legado a obra Pesadores do Choro deixou para ambos um ano depois do lançamento do resultado dos vencedores do edital.

Sergio Aires: o flautista professor do PRIMA (Programa de Inclusão através da Música e das Artes) que conheceu o choro na África

“Vocês sabem muito bem que aqui na Paraíba a gente percebe que existe chorão e gente que gosta de choro. É uma diferença muito grande. E o chorão é aquele cara que vai à livraria procurando livros de choro, vai ao MIS para ouvir a voz de Jacob do Bandolim, a voz de Pixinguinha. Essa é uma característica que se desenvolve a partir do momento em que você começa a contar o que é o choro. Então, esse lançamento não será um simples lançamento; quero fazer um encontro para falar sobre tudo isso, quero fazer uma palestra, contar quem foi Pixinguinha, que Jacob adiantava o relógio quando o músico era ruim e atrasava quando era bom… Essas coisas vão dando sentido ao choro.

Luciana Rabello, Diego Aires e Sergio Aires

Em sua ida ao VI Festival Nacional de Choro, organizado pela Escola Portátil, no Rio de Janeiro, em 2015, Sergio Aires (à direita, de camisa azul) encontrou a organizadora do projeto e anfitriã da Casa do Choro, que estava sendo inaugura também na ocasião, e presenteou a cavaquinista com dois exemplares do livro Pensadores do choro. Um deles destinava-se a ser doado à biblioteca da Casa do Choro

Naturalmente, estudando sobre choro, descobri a Revista do Choro, assinei a publicação assim que soube que ela existia. Aí saiu o edital. E aí, quando vi que o edital tinha sido lançado e fui ver como funcionava e descobri que havia uma categoria chamada Crônicas e Memórias, achei que deveria começar a contar um pouco da minha história. O texto que inscrevi é um texto superficial, digamos assim, porque a minha história com o choro e com a música é bem mais profunda. Vou tentar resumir aqui pra vocês.

Terminado o curso de Comunicação (Publicidade e Propaganda) em João Pessoa, um ano depois Sergio retornou para Recife, onde recebeu um convite para trabalhar fora do país.

“Fui convidado para trabalhar numa agência de publicidade em Moçambique. Foi uma fase muito difícil. Eu morava com meu chefe, trabalhava muito e sem horário para descansar. Odiei os cinco primeiros meses morando na África. Só depois desses primeiros meses de aflição numa cultura completamente diferente e longe de casa é que comecei a ver que o problema não era a África, era a minha rotina de trabalho. Eu poderia estar na Suíça, porque o que não gostava não era do país, era a minha rotina exaustiva de trabalho, e também da lógica capitalista e injusta aplicada pelo mercado daquele país. Para vocês terem ideia, uma companhia de telefonia que atende cerca de 70% da população de Moçambique fez uma promoção que enganava consumidor na cara da gente e não podíamos falar nem fazer nada. A promoção dizia que o consumidor tinha direito a falar com tarifa reduzida se comprasse um valor X de créditos, mas não dizia (isso o cliente só lia no site da empresa e em letras minúsculas no anúncio) que o horário para falar com a tarifa reduzida era de madrugada e só a partir do dia seguinte à recarga que ela fez.

Então, essas práticas de lesar o consumidor, agregadas a uma série de problemas familiares que eu já enfrentei na juventude, como a morte de um tio e depois o suicídio de meu avô paterno, me deixaram muito agoniado na África.

Fiquei muito sozinho e comecei a me envolver com as drogas. Foi um processo de ascensão, entre aspas, de chegar do trabalho cansado, de fumar muita maconha… isso foi me levando naturalmente para outros caminhos, fez com que eu me afastasse dos amigos, do meu chefe. E nesse ponto, nesse momento da vida, nesse declínio em contato com as drogas, mas também num momento de autoconhecimento, foi que eu conheci o choro. Conhecer que eu digo é ‘parar para ouvir’. Comecei a prestar atenção ao choro lá na África e parei para pensar: por que não estudar música? E aí comecei a estudar lá na África ainda, e isso me deu cada vez mais a sensação de que eu havia encontrado o que eu queria realmente fazer.

Eu já vinha questionando minha utilidade na publicidade porque aqui na Paraíba e em Recife eu fazia campanhas e propagandas para empresas pelas quais não nutria muita simpatia, e quando cheguei em Moçambique isso aflorou de forma muito forte porque as leis trabalhistas e de consumo são muito precárias e isso faz com que as empresas explorem muito o público.

A ideia era passar um ano em Moçambique, o contrato poderia ser renovado por mais um ano, mas aí chegou a época das minhas férias e eu iria voltar pra João Pessoa para rever minha família, meus amigos. E eu escolhi voltar.

Nessa altura, pesando mais de 100 quilos, cheio de dúvidas na cabeça quanto a permanecer na África, mas com a certeza de que era a música o caminho a seguir, Sergio retornou para o Brasil para recomeçar uma nova vida ao lado de uma nova história, mas próximo à família.

capa do texto tudo cultpa do choro de sergi aires

Tomado por essa vontade de voltar para o Brasil, Iniciou um novo processo ainda lá na África, reeducando sua alimentação e seus hábitos de vida. Emagreceu, amadureceu a base do sofrimento e dos questionamentos interiores e, então, revelou-se nele um novo homem, um novo Sergio Aires.  Mais alto astral, mais próximo de si mesmo, descobrindo os verdadeiros valores da vida e conhecendo, neste momento de tantas dúvidas e aflições, aquilo que o fez mudar, ou melhor, se transformar: a música.

Com outra aparência física, completamente diferente daquela que seus amigos e familiares conheciam antes dele partir, Sergio chegou magro e barbado em João Pessoa. Uma vez em casa, ele conta que andava pela cidade e seus amigos não o reconheciam!

“Vocês estão me vendo assim, mas eu já pesei 105 quilos. Na África, sem tempo para nada, trabalhando como eu falei, a gente não se alimentava direito e eu comia muita porcaria. Depois comecei um processo de reeducação alimentar, de emagrecimento, e isso tudo em paralelo ao contato cada vez mais intenso com a música.

Quando cheguei de volta ao Brasil estava com barba, bigode e mais magro. Ninguém me reconheceu. Vivi situações de estar andando na rua e amigos de infância olharem pra mim com aquela cara de ‘conheço aquela pessoa’, mas não saber de onde… E isso de voltar e não ser reconhecido pelos meus amigos causou uma crise de identidade muito grande em mim. Isso, unido ao fato de eu não me identificar mais com a Publicidade mexeu muito comigo. A volta da África provocou uma série de coisas em mim… Tive Crise do Pânico, acabei contando pros meus pais sobre meu envolvimento com droga… Foi quando comecei a frequentar terapia, fui para a meditação, tomei remédios…

Nesse momento, alguns fatores foram primordiais para mim: Deus, que até então eu não acreditava que existisse, mas depois do que contei não tinha como não acreditar no contrário; a família e a música, que reorganizou as minhas ideias e me desafiava todos os dias a melhorar minhas conexões em minha mente. E não só isso, a música me dava conforto, autoestima. A música foi importante nesse processo todo. Eu devo muito à música porque de alguma forma foi ela que me ajudou a sair do estado ilusório de ascensão que eu estava tendo com o uso das drogas e me trouxe o estado real que é estar nessa ascensão, mas ao lado da música. Tenho uma vontade muito grande de retribuir o que a música fez comigo na esperança de que ela seja um caminho tão curioso quanto o das drogas, mas que leve a uma ascensão real. A ascensão provocada pelas drogas é superficial, a da música é real.

É por isso que quando o PRIMA entrou na minha vida, eu me deparei com a oportunidade de talvez lidar com várias pessoas que podem, ou poderão, ou poderiam estar no estágio em que eu me vi, exatamente nesse limbo de saber qual decisão tomar.

A música, neste sentido entra como um guia e talvez as decisões sejam mais por este caminho. Isso vai exigir muito mais intelectualmente em termos de disciplina, de organização, mas traz como recompensa a crença em si mesmo e a possibilidade de compartilhar isso com essa mesma crença.  

Tem muita coisa que eu vou escrevendo… e o edital me chamou atenção para publicar o que eu já vinha escrevendo… É um texto superficial, mas que mostra um pouco desse meu diário…

Retornando da África em 2010, Sergio procurou um professor de música, e passou seis meses tendo aulas em casa com Marcius (é este mesmo o nome dele?) Caetano, citado em seu artigo para o livro Pensadores do Choro.

“Marcius era aluno de licenciatura da UFPB e depois de uns seis, sete meses estudando com ele, me inscrevi na EMAN, Escola de Música Antenor Navarro aqui em João Pessoa, que não foi a minha primeira escola de música já que na África eu tinha estudado solfejo e violão clássico na Escola Nacional de Música de Moçambique.

Quando entrei na EMAN, já fui para o terceiro período, por conta de já ter algum conhecimento. Foi quando conheci o ‘Durier’, maestro da Orquestra Sinfônica Jovem daqui. Ele foi um grande professor de música na minha vida porque me ensinou o que é de fato a música. Ele não me ensinou o que é semínima, o que é compasso três por quatro, me ensinou a sentir a música. E isso eu tive em Moçambique com o Orlando, um grande padrinho na música que eu encontrei na África.

Ele tinha uma casinha muito humilde num sítio e nós íamos para sua casa estudar. Conheci ele através de um amigo com quem eu morava. Ele tocava numa banda de jazz e fomos vê-lo tocar em um bar, uma noite. Esse meu amigo Leo foi quem me apresentou ao Orlando nesta noite, comentou que eu estava querendo estudar flauta e tal…  O Orlando estudou regência, morou na Rússia, foi regente lá e hoje toca jazz na África, em Moçambique. 

Foi aí que eu conheci a timbila, uma espécie de marimba, xilofone. Foi um período de conhecer mesmo, de viver a música, mas não no sentido acadêmico da coisa, e sim algo mais livre. Esse mergulho e essa liberdade fizeram com que eu quisesse me aprofundar mais ao conhecimento da música quando cheguei de volta ao Brasil.

Aqui, depois de um tempo na Antenor Navarro, eu ainda trabalhando em agência, tinha que conciliar a publicidade e a música. Até que escolhi sair da agência, da segurança financeira para me dedicar à música.

Estava ganhando bem e estava tendo destaque. Meus pais resistiram até ver que era isso mesmo o que eu queria e me ajudaram muito. Eles veem o estudo, viram o papel da música como fator de mudança em minha vida e apostam muito nisso. Meu irmão também teve alguns problemas com drogas. Estudava Engenharia, mas também se encontrou na música e hoje é um bandolinista dedicado. Sempre busquei envolver minha família nesse novo universo e eles se envolveram naturalmente. Claro que houve um retardo, o fato de eu ter feito essa escolha já com vinte e dois anos, mas isso pra mim é irrelevante, o que importa é que eu quero fazer isso todos os dias.

Na EMAN, tive a ideia de fazer o ENEM e concorrer a uma vaga para estudar música, começar uma nova graduação. Logo que tentei me inscrever perdi o período de inscrição, mas duas semanas depois de saber que tinha perdido a prova, soube que a universidade estava abrindo vagas para pessoas já graduadas. Isso foi um evento em minha vida. O fato de eu ter entrado como graduado fez com que eu entrasse no curso no meio do ano. Não entrei junto com os feras, ou seja, eu tinha aulas quase particulares, com poucos alunos na turma.

É impressionante como a vida tem me ensinado que aquilo que eu acho ruim inicialmente se torna algo positivo e ao meu favor logo num momento posterior.

O autor Sergio Aires deu uma palestra durante o lançamento do livro, em João Pessoa. Plateia lotada para ouvir sobre a História do Choro.

O autor Sergio Aires deu uma palestra durante o lançamento do livro, em João Pessoa. Plateia lotada para ouvir sobre a História do Choro.

O que o jovem músico quer para o futuro

Antes do PRIMA (Programa de Inclusão através da Música e das Artes) minha visão de música era construir um trabalho estético bem feito, com muita qualidade. Eu pensava muito no choro, mas penso muito na música armorial. Acho que falta explorar mais a música armorial.

Antes do PRIMA eu tocava em bares e restaurantes. Depois tive que deixar isso um pouco de lado, mas tenho tocado nas rodas locais sem receber pra tocar e mais como um diletantismo mesmo, para estar próximo do choro, para praticar o choro.

O PRIMA me despertou para outro sentido a dar à música que não o de tocar o instrumento apenas. Percebi um cunho mais social e do uso da música na promoção da educação. E esse é o diferencial do PRIMA! Ele é um programa que leva música para as comunidades carentes, mas assim como o Bolsa Família, ele exige que o aluno esteja matriculado na escola, tenha assiduidade e boas notas. Este tem se demonstrado o grande diferencial do PRIMA. Há diretores de escolas cujos estudantes integram o PRIMA que perguntam o que nós fazemos para que os alunos toquem tão bem e tenham tanto envolvimento com a orquestra e com a escola. Este pra gente é o melhor prêmio! É saber que o projeto tem uma atuação real na vida desses jovens. A música é definitivamente um instrumento de promoção da educação. Então, respondendo sua pergunta, neste momento meu foco na música é atuar junto a este cunho mais social que a música pode oferecer. Meu objetivo agora não é montar um grupo coeso e tocar por aí. Vocês sabem, é muito difícil ensaiar, combinar horários, haver sintonia; às vezes os músicos conseguem aquela coisa bonita e tal, mas não faz o coração chorar. No PRIMA eu sinto o coração chorar.

Um ano de Pensadores do Choro

Este livro foi um presente.

Exercitou-me a refletir sobre o significado da música nas nossas vidas.

E a enxergarmos a potência transformadora da arte.

Por séculos e séculos, tratamos a arte como uma atividade de veneração. Daí expressões como “dom”, “talento” e “predestinação”.

A visão idólatra da arte, ao mesmo tempo em que entorpece nossos sentidos, distancia-nos de executá-la.

No livro “Nos Domínios da Mediunidade”, psicografado por Chico Xavier, existe a seguinte frase: “A Arte é a mediunidade do Belo, em cujas realizações encontramos as sublimes visões do futuro que nos é reservado.”

Vale repetir: é visão do futuro. Mas é um futuro que nos é reservado. E para esse futuro se tornar realizável, é natural que se percorra um caminho.

É o estudo da arte que a torna sublime. A disposição diária de artesanar a escrita, o som, o corpo, a forma, numa sucessão de aperfeiçoamento que não tem fim.

O livro impresso, o disco gravado, a coreografia, a escultura exposta é a parte visível do iceberg. O estudo é a parte submersa. A arte é o iceberg por completo.

Precisamos dar mais valor à parte submersa. Não apenas reconhecendo e valorizando os artistas, mas enxergando nesse trabalho uma ferramenta de transformação social.

A arte precisa se tornar política pública obrigatória, fazer parte do currículo escolar, ser receitada por médicos, psicólogos. Entrar nos hospitais, manicômios e presídios. Passamos séculos e séculos aprendendo como fazer. Agora é hora de levarmos para onde precisa ser feita.

Vanessa Trópico revelou para o mundo quem é o Mestre do Choro paraense Adamor do Bandolim

“Tenho um vínculo com o GEMAM. O grupo de estudo tenta cartografar as manifestações musicais da Amazônia. Encontramos mil pesquisas sobre Carimbó, mil pesquisas disso, mil pesquisas daquilo e nada sobre choro.

Recebi um convite do professor-doutor Paulo Murilo Guerreiro do Amaral, da Universidade Estadual do Pará (UEPA) para desenvolver uma pesquisa sobre música, pelo GEMAM (Grupo de estudos de Música da Amazônia), e aceitei. O Paulo tem vínculo com a UEPA, eu com o GEMAM. Sou pesquisadora externa da UEPA. Trabalho com o Paulo no GEMAM.

Pesquisei durante anos a saúde do trabalhador, logo que me formei. Depois pesquisei sobre o SUS. Quando fui pesquisar o choro, o Paulo me chamou para trabalhar com ele na UEPA. Quando vi que só havia pesquisas sobre musicas e ritmos locais e nada sobre choro e a memória oral dos mestres do choro daqui de Belém, do Pará, me dei conta de que este seria o objeto de estudo sobre o qual desejaria me debruçar. Nessa altura, do convite do Paulo para a pesquisa, eu já estava convivendo com os chorões e percebendo que se tratava de uma cultura oral imensa e daí pensei: – Amanhã não terá Adamor, Gilson, Bochecha… E aí? O que vai ser dessa história?

Vivendo essa inquietação, propus ao Paulo que fizéssemos um projeto voltado para o choro e ele aceitou, abraçou a ideia e fizemos mesmo sem bolsa, patrocínios e tal. Ainda espero que o projeto seja aceito pelo CNPq, para que seja financiado, porque pesquisa gasta pra caramba e tudo o que foi feito para essa pesquisa teve investimento financeiro apenas de minha parte. Foi dureza!..

Comecei a preparar um material para levar para o grupo de estudos baseada em alguns livros que encontrei na internet. Por exemplo, encontrei o livro ‘O choro: Do Quintal ao Municipal (10ª edição)’. Aí pensei: – Deve ser um bom livro! Depois encontrei o Andre Diniz com seu ‘Almanaque do Choro’, edição comentada. Mandei trazer os livros e tal, comecei a ler… vi que há uma série de equívocos. Deparei-me com uma informação, acreditei no profissionalismo dos autores, pois também sou pesquisadora e acredito que as pessoas tenham ética profissional… e, de repetente, depois de escrever o texto, durante a edição do meu texto pelos proponentes do edital Pensadores do Choro, a e-ditora] me avisou que esses livros continham alguns equívocos e que eu deveria tomar cuidado em repeti-los. Soube que o autor, no caso o Henrique Cazes, do livro ‘Choro: Do quintal ao Municipal’ se apossava de falas que não eram dele e fiquei perdida. Além de achar isso um absurdo! Meu primeiro choque quando do contato com esse livro foi a partir do índice, onde coloca ‘Os que vem do Norte’, e quando eu abro na página indicada pensando que teria uma linha sobre o choro feito no Pará, o cara está falando do choro nordestino. Acho que ele faltou as aulas de geografia! Quis dar conta de algo que não conseguiu. Para mim, essas coisas são falta de caráter. O meu trabalho, que é ético ficou comprometido. E aí, quem vai saber que essas informações não são corretas? Eu estaria repetindo um erro se não tivesse participado do edital, se não tivesse sido orientada por seus organizadores.

Uma paulista com sotaque paraense

Sou paulista. Nasci em santo André, no Parque Industrial, e meu pai, Álvaro Silva, é de Santarém. Minha mãe, Fátima Trópico, é filha de russos, uma pessoa muito séria. Minha família trabalha com ótica. Meus pais se conheceram num curso de ótica do SENAC.

Durante muitos anos minha mãe ficou com meu pai em São Paulo, e meu pai sempre falando que tinha saudade de casa. Até que um dia o ramo de óticas ficou ruim e eles resolveram vir para Belém. Eu também ajudo no trabalho da ótica. Filho de dono é sempre empregado, nunca vai mudar! 

Somos três irmãos: a mais velha, Cilene, é flautista clássica; meu irmão Álvaro trabalha com mineração, e a Fernanda trabalha com Contabilidade. Eu sou cientista social, a filha caçula.

“Conheci o Choro por causa do Samba”

Sempre gostei de samba, desde pequena. Tinha meus seis anos de idade e já amava samba. Não dormia até passar a Mangueira; sou apaixonada por essa Escola! E para falar como conheci o choro, tenho que contar antes sobre minha relação com o samba, pois dediquei 23 anos de minha vida ao Império do Samba Quem São Eles. Conheci o choro por causa do samba. Eu fazia de tudo na Escola e era muito agarrada com a Velha Guarda. Quando a Velha Guarda se afastou da escola, eu também desanimei e não quis mais trabalhar pela agremiação. Isso em 2012.

Quando decidi que não iria mais trabalhar pela Escola por discordar da forma como a nova diretoria estava atuando, foi muito difícil, pois eu estava ali há anos. Ficou um vazio muito grande. Nessa época, eu tinha um namorado que tocava cavaco, mas voltado para o samba enredo, não para o choro. Comentei com ele que queria tocar cavaquinho e ele me desestimulou completamente. Disse que eu era muito velha para aprender a tocar o instrumento. Eu tinha 32 anos. E ele disse: – Cavaquinho só aprende quem começa muito cedo. É o instrumento do moleque, o videogame dele; fora que sua mão é muito grande, você não vai conseguir tocar. Aí eu desisti. Desanimei. Um dia, num pagode, um amigo chamado Sam, que já estava meio animadinho de cerveja, disse para mim com o cavaquinho na mão: – Tu vai tocar esse cavaquinho! E me deu o instrumento desaparecendo no salão. Levei o cavaquinho para casa e pensei: – Quer saber, vou tentar! Era um horror! Eu até fiz uma palheta artesanal porque ele tinha me dado o cavaco sem palheta, mas não adiantava, eu não sabia nem afinar…

Minha irmã, musicista clássica, que mora comigo, dizia: – Meu Deus do céu! Que horror! Até que ela me orientou a procurar a Fundação Carlos Gomes, para me inscrever numa prova para o curso de Música. Ela disse: – Você vai ficar reprovada, mas pede para o professor para ficar como aluna ouvinte. Pelo menos você aprende a afinar o instrumento! A partir desse dia comecei a me preparar para a prova.

Minha irmã afinou o instrumento e me ensinou a tocar Asa Branca. Amarrou uma bola de papel na minha mão para que eu não encostasse no cavaco, deu um monte de dicas de quem entende, sabe?

Eu tinha certeza que não passaria na prova. Já tinha sido tão desestimulada por esse meu ex namorado… Estava fazendo, mas não acreditava que fosse passar. Só que passei.

De Ave Maria para Doce de Coco

Meu professor no Instituto Carlos Gomes, o Edmilson Rodrigues (Molequinho do Cavaco), começou a aula (eu li partitura muito rápido) e me colocou para tocar Ave Maria num recital que riria acontecer. Ele falou: – Vai ter outro recital. Prepare-se logo. E para este outro recital ele me deu uma partitura de choro. Foi aí que começou meu envolvimento com o gênero. Ele me deu a partitura de Doce de Coco, de Jacob do Bandolim, e eu fui pra casa e pesquisei todas as versões que existem no mundo para essa música. Fiquei emocionada…

Adesão à Orquestra de Choro do Pará

Nessa época em que eu estava estudando Doce de Coco, um amigo me perguntou se eu iria assistir a Orquestra de Choro do Pará, no Teatro da Paz; um teatro centenário aqui de Belém. Aí eu fui. Quando cheguei, não havia mais ingresso. Estava chovendo muito e eu peguei tanta chuva que me deixaram entrar. Acabei assistindo o espetáculo completamente molhada.

Vanessa com alguns integrantes da Orquestra de Choro do Pará

Vanessa (à direita)com alguns integrantes da Orquestra de Choro do Pará

Pensei que iria encontrar uma formação tradicional de regional e deparei-me com mais de 90 músicos no palco. Hoje são 70 músicos na Orquestra. Fiquei emocionada!

Ao final do espetáculo, o Paulo Moura me falou mais sobre a Orquestra, e no dia 13 de agosto tive coragem de aparecer. Tinha que fazer um teste para integrar a Orquestra. Quando cheguei fui super bem recebida. Aí o Mestre Bochecha me disse: – Vamos lá, toca aí. E eu não sabia nada! Fiquei lá sem saber o que fazer, olhando para as mãos dos outros, mas nada… aí quase fui embora, mas o Mestre Bochecha veio conversar comigo e eu falei que não sabia nada. Ele, pacientemente pegou uma folha, desenhou o cavaquinho e todos os acordes, e mandou eu voltar no dia seguinte. Fui para casa estudar e me dediquei. Isso foi em agosto. Minha estreia na Orquestra foi em novembro, no Teatro Maria Silva Nunes, e o Mestre Bochecha tocou ao meu lado, para você ver a generosidade dele!

O primeiro encontro com Mestre Adamor do Bandolim nas rodas de choro que precediam os ensaios da Orquestra de Choro do Pará

E foi num dos ensaios da Orquestra de Choro que conheci o Mestre Adamor. Eu ficava olhando as rodas que antecedem os ensaios, quando todos os músicos ficavam passando o repertório e sempre via o Adamor, mas não o reconhecia como produtor musical, compositor; não conhecia ele.

Até que um dia chegou um violonista chamado Cosme Palheta, excelente sete cordas. Veio de Bacarena, outro município. Ele chegou na roda e disse para o Adamor: – Mestre, vamos tocar ‘Chora Marajó’?

Depois de vê-los tocar, falei para o Carlinhos Gutierrez, umdosprofessores da Orquestra, que queria tocar aquele choro. Aí ele disse: – Vanessa, os choros do Adamor são difíceis; você não vai conseguir tocar de primeira.

O Gutierrez comentou com Adamor que eu queria tocar o choro dele e Adamor chegou até mim. Ele me achou muito parecida com uma sobrinha dele chamada Eloane, uma moça que ele criou. Tudo o que eu tenho dele, CDs, partituras, ele sempre dedica a Eloane (com aspas). Foi a primeira vez que nos falamos.

Depois disso, a Orquestra entrou em recesso. Um namorado meu me deu um o caderno de partituras de Adamor e eu comecei a estudar suas composições.

Um dia, marcaram um café da manhã na casa do Mestre Adamor, e eu fui. Quando cheguei, falei que queria tocar ‘Lembrando Vaico’, uma música dele, mas acho que ele não levou fé.

Eu toco muita coisa do Adamor de cor; eu amo Adamor, quero tocar suas músicas sempre. Aí eu falei: – Adamor, eu aprendi a tocar uma música sua. Quero tocar ‘Lembrando Vaico’… Aí esperei todo mundo ir embora… Ficou só a turma do Choro Caboclo. Foi então que eu disse: – Agora vamos tocar! Foi a partir desse momento em que toquei a música dele que passei a ser respeitada pelo Mestre Adamor.

Vanessa tocando a composição Chora Marajó ao lado do compositor da mesma, Adamor do Bandolim, na casa do Gilson, local tradicional de choro em Belém

Vanessa tocando a composição Chora Marajó ao lado do compositor da mesma, Adamor do Bandolim, na casa do Gilson, local tradicional de choro em Belém

Começou ali uma amizade. Minha linha de pesquisa foi aceita na UEPA, e eu levei ele com o pessoal do Choro Caboclo para abrir um seminário de pós-graduação, só tocando as músicas dele. Na oportunidade falei sobre a importância de registrar a história do Adamor do Bandolim no sentido de registrar a tradição oral.

Adamor é um Mestre; ele sabe muita coias. Temos sorte de termos esses Mestres ainda vivos para podermos registrar essa memória oral; o problema é que nem sempre temos como registrar.

Somos grandes amigos, mas acima de tudo sou fã de Adamor do Bandolim. Jacob é legal, Pixinguinha é legal, mas ele é o meu compositor de choro. O choro dele é único, é verdadeiro, é lindo, é o que eu conheço. A minha memória musical foi construída em cima dos ritmos do Pará, daquela levadinha do choro dele, que é carimbó, lundu. Há um estudo comparativo e teórico da obra de Adamor com partituras de carimbó, de lundu, de outros ritmos musicais do Pará também merece mais atenção.

A importância do registro da memória oral para futuras gerações

Quando você me pergunta quem contaria a história do Adamor, eu te respondo: – Ninguém! Não posso nem dizer que existe muita gente que pode vir a se interessar porque não existe. Em 50 anos de carreira ele só foi objeto de trabalho de conclusão de curso em apenas três ocasiões. Não há um livro sobre ele; há participação aqui, ali, mas como convidado para tocar, para arranjar. A vida dele nunca foi escrita. Tem um documentário onde faz um aparte; o filme do Dudu Neves sobre a música paraense, onde Adamor aparece dando um depoimento. Mas ele sendo o centro da obra, isso nunca foi feito. A história que ele ainda tem para contar eu não sei quem contará… Não sei se terei fôlego.

Agora é que Adamor está sendo visto. Fez show em Anajás depois de oito anos. Nunca chamaram Adamor para jogar um estalinho no chão, mas agora ele está sendo valorizado. Agora ele foi chamado para a feira do livro, para tocar em vários lugares que antes o desprezavam, mas o valor dele ninguém viu ainda.

O texto inscrito no edital Pensadores do Choro

Quanto ao edital, quis participar porque quando tive contato com essa literatura contaminada, horrorosa, vi que não se fala do choro do Norte, feito por esses Mestres, que não é um choro de ontem e não é um choro com eco carioca. É um choro com assinatura paraense, com a levada do paraense, com a história do paraense, com um paraense instrumentista. Jacob do bandolim não é Adamor do Bandolim e Adamor do Bandolim não é Jacob do Bandolim.

abertura texto vanessa tropico

Enquanto pesquisadora fico triste em ver que não há registro dessa história. Daqui a 50 anos o que vai existir sobre Adamor do Bandolim. Hoje temos o livro Pensadores do Choro em função da sensibilidade do edital em olhar para a região Norte e reconhecer o Adamor como produtor musical da Amazônia. A obra está aí, está sendo espalhada… esse registro vai ficar.

Pensadores do Choro na imprensa do Pará e na XIX Feira Pan Amazônica do Livro

Em Belém, o livro foi lançado na Casa do Gilson, ponto mais tradicional do choro no Pará, participou da XIX Feira Pan Amazônica do Livro… Estive no Programa Sem Censura Pará e no Conexão Cultura.

1796086_467272550099456_7612603123851490238_o

Vanessa Trópico durante entrevista para o programa Sem Censura Pará

Onde está a velha e boa generosidade dos chorões? Mas para que tanto preconceito?

Sobre sofrer preconceito por ser mulher no ambiente de choro, não, não sofri, mas sofri preconceito de alguns chorões quando eles souberam do livro.

O Emílio Mininéia, produtor musical do Adamor, disse: – Como você vai pesquisar choro se você nem toca choro? Como você vai querer contar a história do choro no Pará se você não estava aqui. Ele não vai ao lançamento por isso. Esse preconceito está acontecendo muito. Algumas pessoas não estão mais falando comigo porque não foram entrevistadas. Sei que não entrevistei todo mundo, não deu tempo… Alguns acham que eu quero me promover como musicista, mas estão enganadas, não tenho intenção de ser uma cavaquinista profissional.