Brasil, flauta, bandolim e violão por José Ramos Tinhorão


Leonor Bianchi

Este artigo sofreu uma errata. Eu havia publicado o vídeo do disco Brasil, Flauta, Cavaquinho e Violão erroneamente e o leitor Márcio Gomes (pandeirista conhecido nas rodas de samba e choro de Juiz de Fora) foi quem bem observou a troca das informações e me avisou. Valeu, Márcio! Obrigada! Este é o verdadeiro espírito do que chamam generosidade na cultura do choro. Aprecio bastante.

Em 1974 era lançado o segundo LP da Gravadora Discos Marcus Pereira. Brasil, flauta, bandolim e violão influenciou as últimas quatro gerações de instrumentistas de choro.

Sob a direção musical de Nelson Freitas, o bandolinista paraibano Josevandro Pires de Carvalho gravou seu primeiro LP pela Gravadora Discos Marcus Pereira. O bandolinista, que atuava nas rodas de samba e choro em São Paulo, prestou duas homenagens ao compositor paulista Erotides de Campos, que fazia 50 anos naquele ano e teve sua composição Ave Maria incluída no LP, e o outra ao compositor Donga, que havia falecido recentemente. A voz de Donga aparece logo no início da faixa ‘Oito Batutas’, choro de Pixinguinha.

No LP, Josevandro liderou o regional formado por Manoel Gomes, o Manoelzinho da Flauta, José Pinheiro, violão de sete e seis cordas, Eduardo dos Santos Godinho, violão, Lúcio França, cavaquinho, e José Erivaldo Silva, no ritmo (pandeiro e surdo).

Sobre este LP, certa vez, disse o grande criador da gravadora, o próprio Marcus Pereira:

“Ressalvados a descoberta do disco e a descoberta do “Jogral” deve-se este disco, na verdade, ao surpreendente talento do Manoelzinho, do Dito, do Adalto, do Geraldo Cunha, e do Fritz. Manoelzinho diz que é sobrinho do Pixinguinha, enriquecendo a crença popular (sobrinho de peixe, peixinho é), Benedito Costa tocando para o internacionalmente conhecido guitarrista flamenco Pedro soller levou o artista espanhol ao espanto tocando com incrível precisão um instrumento, o cavaquinho, que comparado à guitarra clássica parece uma miniatura. Adauto prometeu nunca mais lavar as mãos depois que foi entusiasticamente cumprimentado por Duke Ellington no show de música brasileira especialmente apresentado no Jogral por ocasião de sua visita a São Paulo. Geraldo Cunha, não há quem não o conheça na noite paulista. Quanto a Fritz, é um dos componentes do Trio Mocotó. Este disco foi produzido pelo Carlos Paraná, fundador do Jogral e da maior saudade que guardo no meu coração. É o segundo lançamento do selo Discos Marcus Pereira, que um dia pretendemos, identifique música popular brasileira de qualidade.”

 

 

Na época do seu lançamento o LP recebeu crítica do jornalista José Ramos Tinhorão, que escreveu em sua coluna Música Popular’ publicada no dia 11 de outubro de 1974, no  Caderno B do Jornal de o Brasil:

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