Choro Concertante com Futuca Migué


Grupo que faz seu primeiro concerto dia 29, em Londrina, desenvolve repertório clássico do choro com influências da Música de Câmara e arranjos contemporâneos

Leonor Bianchi

Há mais ou menos um ano, alunos do curso de Licenciatura em Música da Universidade Estadual de Londrina começaram a ser reunir para estudar prática de música brasileira. Nascia ali o grupo de choro Futuca Migué. Como nos conta Rafael Regilio, bandolinista do grupo,que tem formação em música clássica e toca violino desde a infância:

“Comprei um bandolim, a Flávia, um o pandeiro; convidamos o André Portelinha, que então comprou um violão de sete cordas, ou seja, ninguém tinha instrumento de choro. E aí começamos a estudar. Por eu ter um pouco mais de conhecimento de choro pelo fato de ouvir o gênero desde criança – embora antes nunca tivesse tocado -, selecionei umas duas três músicas, preparei os arranjos, fizemos as leituras dos arranjos, e aí começamos a ensaiar”, conta Rafael.

A formação do Futuca é: Annalisa Vieira (flauta transversal), André Portelinha (violão 7 cordas), Flávia Striquer (percussão), Rafael Regilio (bandolim e clarinete).

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A primeira apresentação do grupo foi em dezembro do ano passado e, desde então eles não pararam mais de tocar publicamente. Abriram o Festival de Choro de Londrina este ano e o Festival de Música de Londrina, tocaram no Simpósio Paranaense de Educação e vários concertos didáticos.

Como destaca Rafael, além das apresentações ‘normais’ do grupo, eles já fizeram vários diversos concertos didáticos.

“Enquanto educadores musicais, temos uma preocupação latente com a educação musical, e por isso fazemos concertos didáticos onde trabalhamos aspectos da história do choro, características do choro…”, comenta o Rafael, contando ainda, que os mesmos arranjos que o grupo faz numa sala de concerto, é apresentado para as crianças nos concertos didáticos.

Arranjos contemporâneos para choros antigos

A escolha do repertório, que vai de Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim a Guinga, João Bosco, César Camargo Mariano, Eduardo Neves entre outros, e os arranjos  desenvolvidos exclusivamente para a sua formação (flauta, bandolim, clarinete, violão 7 cordas e percussão) são feitos pelo bandolinista Rafael, que imprime nos mesmos sua influência musical erudita.

 “Coloco características da minha formação e da minha escuta musical nos arranjos e na forma como a gente trabalha o choro. Trabalhamos com um material que é o choro, mas com uma concepção de música de câmara e com o meu conceito estético de música brasileira. Colocamos uma roupagem bem moderna em músicas muito antigas, como as de Pixinguinha, por exemplo, onde trabalhamos com arranjos bem contemporâneos. Acho que essa visão estética e esse conceito estético da sonoridade criam uma identidade bastante original e peculiar para o nosso grupo, somadas as percepções da nossa flautista, Annalisa, que é flautista de orquestra, da Flávia Striquer, que é cantora de coro, e a minha”, explica Rafael.

 O nome do grupo veio de uma antiga expressão usada pelo avô do integrante do grupo, Rafael Regilio.

 “Meu avô usava muito essa expressão ‘futuca migué’ quando os netos ficavam agitados, brincando, e mexiam nas plantas dele. Ele era um italiano bem humorado, mas nessa hora ele ficava zangado. Essa expressão acabou virou uma expressão de família e como eu gostava muito dela… usamos no nome do grupo”, explica o bandolinista.

 Grupo se apresenta esta semana na FUNCART

Estudando, praticando e estudando choro, aos poucos o grupo foi montando seu repertório. Esta semana eles se apresentam numa ocasião que está sendo considerada a o primeiro concerto oficial do Futuca Migué. A apresentação acontecerá na quinta-feira, dia 29, na Fundação Cultura Artística de Londrina (FUNCART), às 20h30. Os ingressos podem ser adquiridos através do link https://www.facebook.com/hoppers.com.br/.