‘O violão em erupção’ de Raphael Rabello pelo autor do livro, Lucas Nobile


Leonor Bianchi

A Revista do Choro conversou com o jornalista Lucas Nobile, que lança hoje em São Paulo a biografia ‘Raphael Rabello, o violão em erupção’. No podcast gravado exclusivamente para a Revista do Choro, o autor destaca a relação do violonista com o choro e a enorme contribuição que Raphael Rabello deu ao gênero.

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Capa_foto divulgação

Um dos maiores violonistas brasileiros ganha biografia em projeto selecionado pelo Rumos Itaú Cultural

O jornalista Lucas Nobile é o primeiro a escrever obra sobre Raphael Rabello, músico que, apesar de sua rápida trajetória, mudou a maneira de tocar e pensar o violão de sete cordas; durante a carreira trabalhou com artistas como Ney Matogrosso, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Elizeth Cardoso, Radamés Gnattali, Dona Ivone Lara, Nelson Gonçalves, Paul Simon, Milton Nascimento, Tom Jobim

Raphael Rabello (1962-1995), músico que revolucionou a história do violão de sete cordas no Brasil, ganha a sua primeira biografia depois de mais de 20 anos de sua morte. Escrita pelo jornalista Lucas Nobile e com lançamento marcado para o dia 3 de maio no Itaú Cultural, o projeto foi contemplado na edição 2015-2016 do Rumos, programa de fomento à cultura do instituto. No dia, o público é convidado para um bate-papo com o autor e os convidados Zuza Homem de Mello, musicólogo, jornalista e produtor musical, e Rogério Caetano, violonista, compositor e arranjador. A mediação é do gerente do núcleo de Música do Itaú Cultural, Edson Natale, autor também do texto na orelha da obra.

Raphael Rabello: o violão em erupção (Editora 34) levou aproximadamente seis anos para ser realizado. São mais de 130 entrevistas com personagens que conviveram, tocaram e trabalharam com o músico. Entre elas estão Paulinho da Viola, Hermínio Bello de Carvalho, João Bosco, Cristóvão Bastos, Amélia Rabello, Luciana Rabello, Déo Rian, Joel Nascimento, Celsinho do Pandeiro, Dininho – filho de Dino 7 Cordas –, Léo Gandelman, Alceu Maia, Henrique Cazes, Turíbio Santos, Rogério Caetano, Marco Pereira e Afonso Machado, o Galo Preto.

No livro, o autor faz um mergulho histórico, informativo e analítico sobre os 25 discos lançados pelo violonista e compositor, além de tratar das participações mais relevantes de Rabello em cerca de 600 faixas de álbuns de outros artistas gravados no Brasil e no exterior. Em mais de 300 páginas, com informações e material iconográfico inédito, o autor detalha a curta e intensa trajetória do instrumentista, considerado um dos maiores violonistas de todos os tempos por nomes como Baden Powell, Tom Jobim, Paco de Lucía e Pat Metheny.

Entre os diversos aspectos da obra, destacam-se a formação musical de Raphael Rabello, seu envolvimento com o popular e o erudito e a revolução que ele impôs ao violão – principalmente o de sete cordas, ao torná-lo um instrumento solista, pois até então era utilizado apenas para fazer acompanhamentos. Ao esmiuçar a trajetória do artista, Nobile revela como ele permanece como a principal influência para violonistas da atualidade como Yamandu Costa, Rogério Caetano, Marcello Gonçalves, Gian Correa, João Camarero, Alessandro Penezzi.

O triste capítulo na vida de Rabello, cheio de versões distintas, também foi desafio para o escritor na narrativa sobre os êxitos e tormentas do músico. A carreira meteórica de Rabello sofreu um grande baque quando, em 1989, o táxi onde estava foi atingido por outro carro em uma esquina do bairro do Leblon, no Rio de Janeiro – ferindo seriamente o seu braço direito. Passou por uma intervenção cirúrgica, na qual precisou colocar nove pinos e reconstruir o úmero, e, após quatro meses de tratamento, já estava fazendo shows novamente. No entanto, depois de dois anos descobriu que portava o vírus HIV e, a partir daí, começou a viver os momentos mais dramáticos de sua história, relatados no livro.

Sobre o autor

Lucas Nobile é jornalista e autor de Dona Ivone Lara – A Primeira-Dama do Samba (Editora Sonora/ Musickeria, 2015) e de alguns volumes da Coleção Folha – Tom Jobim. Foi consultor da Ocupação Dona Ivone Lara, no Itaú Cultural, trabalhou como repórter de música de jornais como Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, além de ter feito colaborações para Instituto Moreira Salles (IMS – Rádio Batuta), Apple Music, Bravo!, Rolling Stone e Clarín.

Sobre o Rumos Itaú Cultural

O Itaú Cultural mantém o programa Rumos desde 1997. Este que é um dos primeiros editais do Brasil para a produção e a difusão de trabalhos de artistas, produtores e pesquisadores brasileiros, já ultrapassou os 52 mil projetos inscritos vindos de todos os estados do país e do exterior. Destes, foram contempladas mais de 1,3 mil propostas nas cinco regiões brasileiras, que receberam o apoio do instituto para o desenvolvimento dos projetos selecionados nas mais diversas áreas de expressão ou de pesquisa.

Os trabalhos resultantes da seleção de todas as edições foram vistos por mais de 6 milhões de pessoas em todo o país. Além disso, mais de mil emissoras de rádio e televisão parceiras divulgaram os trabalhos selecionados.

Nesta edição de 2017-2018, os 12.616 projetos inscritos serão examinados, em uma primeira fase seletiva, por uma comissão composta por 40 avaliadores contratados pelo instituto entre as mais diversas áreas de atuação e regiões do país.

Em seguida, passarão por um profundo processo de avaliação e análise por uma Comissão de Seleção multidisciplinar, formada por 21 profissionais que se inter-relacionam com a cultura brasileira, incluindo gestores da própria instituição.

 

SERVIÇO:

Rumos Itaú Cultural 2015-2016

Raphael Rabello: o violão em erupção

Dia 3 de maio (quinta-feira)

Às 20h

Bate-papo com Lucas Nobile, Zuza Homem de Mello, Rogério Caetano

Mediação: Edson Natale             

Duração: 75 min

Classificação indicativa: Livre

Interpretação em Libras

Sala Itaú Cultural (224 lugares)

Entrada gratuita

Distribuição de ingressos:

Público preferencial: 2 horas antes do espetáculo (com direito a um acompanhante)

Público não preferencial: 1 hora antes do espetáculo (um ingresso por pessoa)

Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108

Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:

3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10.

Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.