Leia um trecho da entrevista que a Revista do Choro fez com Beth Ernest Dias, biógrafa de Avena de Castro


Por Leonor Bianchi

Estou em vias de concluir a redação de uma matéria e uma série de artigos sobre Avena de Castro para a Revista do Choro. Para escrever este conteúdo, conversei muito com a biógrafa do citarista, a instrumentista e pesquisadora Beth Ernest Dias, que ano passado lançou o projeto Sábado à tarde: Avena de Castro, a cítara e o choro e em Brasília. Leia agora um trechinho dessa entrevista, que ainda esta semana será publicada na íntegra aqui na Revista do Choro (conteúdo exclusivo para assinantes. Para assinar, clique aqui).

Uma das fotos que ilustra o livro 'Sábado à tarde' mostra vários chorões que foram do Rio de Janeiro especialmente para Brasília para tocar choro: Jonas, Carlinhos Leite, Dino 7 Cordas, Belenzinho, Simpatia (agachado), e  Giovani Pasche. O registro foi feito em 1967. Acervo de Arnoldo Velloso.

Uma das fotos que ilustra o livro ‘Sábado à tarde’ mostra vários chorões que foram do Rio de Janeiro especialmente para Brasília para tocar choro: Jonas, Carlinhos Leite, Dino 7 Cordas, Belenzinho, Simpatia (agachado), e Giovani Pasche. O registro foi feito em 1967. Acervo de Arnoldo Velloso.

Revista do Choro: Algum dos depoentes que você conversou para escrever o livro sobre Avena de Castro e o choro em Brasília já faleceu, além do Giovani Pasche?

Beth Ernest Dias: Infelizmente faleceram algumas pessoas, a saber: o bandolinista Coqueiro, já bastante idoso, o cavaquinista Evandro Barcellos, que foi o diretor de estúdio do CD, precoce perda, o Maestro Levino de Alcântara, fundador da Escola de Música de Brasília, a Dona Lezir, viúva do Avena e a Magda França Lopes, filha da pianista Neuza França. E, por último faleceu trágica e precocemente a Liane Uchoa, que é personagem (página 91).

Revista do Choro: Saberia dizer se a citarista filha de alemães, Inge Bolman Brums, citada no seu livro, tocava ou gravou choros?

Beth Ernest Dias: Não, ela só gravou um LP: Sossego da Alma, era amadora e não tocava choro.

Revista do Choro: Existe outro citarista na história do choro? Quem?

Beth Ernest Dias: Não existiu até agora nenhum outro. Há uma citarista alemã, Gertrud Huber, com quem tenho contato, que ficou conhecendo choro. Ela veio a Brasília em 2015 e tocamos juntas duas peças do Avena. Mas por enquanto é só.

Revista do Choro: Como Avena faleceu?

Beth Ernest Dias: Ele sofria de enfisema pulmonar num estágio muito avançado, pois era fumante inveterado. Estava hospitalizado e num ataque de falta de ar, ele se jogou pela janela do quarto do hospital. Não foi suicídio como muitos pensam. Pesquisei muito sobre isso.

Revista do Choro: Com quem ficou e com quem está a cítara de Avena de Castro?

Beth Ernest Dias: Com a família

Revista do Choro: E o acervo de Avena, está com sua família? Que família; netos, sobrinhos? Quem? Só pra citar, se eu for citar isso em algum momento).

Beth Ernest Dias: A guardiã é a filha, Heizir de Castro, professora de biologia na USP.

Revista do Choro: Há interesse da família de Avena de que esse material dele vá para algum centro cultural onde possa ser visto e conhecido por um maior número de pessoas e assim, difundir a obra de Avena de Castro?

Beth Ernest Dias: Creio que haja interesse, mas até agora nenhum centro desse tipo teve iniciativa.

Revista do Choro: No álbum de partituras, no texto de abertura, é dito que Avena compôs uma centena de choros, entre 1968 e 1981. Você saberia dizer o número exato?

Beth Ernest Dias: O número exato não sei porque algumas dessas composições estão espalhadas, mas cataloguei tudo a que tive acesso, 123 choros e duas marchas-rancho 

Revista do Choro: Avena gravou quantos discos?

Beth Ernest Dias: 24 em 78rpm e 9 LPs.

Revista do Choro: Quem é Severino Francisco, que escreve um dos textos do livro?

Beth Ernest Dias: Ele é jornalista aqui em Brasília com vasta experiência na cobertura da cena cultural, escreveu um livro sobre 50 anos de música em Brasília –  “DA POEIRA À ELETRICIDADE”

Revista do Choro: Gostaria de comentar sobre os croquis que ilustram o livro?

Beth Ernest Dias: Os que ilustram a abertura dos capítulos são criação de Renata  Fontenelle, designer gráfica de todo o projeto ‘Sábado à tarde’. Eu adoro esses croquis! Os do Lúcio Costa são famosos e maravilhosos!