Revista do choro e #e-ditora] divulgam resultado do primeiro edital Pensadores do Choro


Por Rúben Pereira e Leonor Bianchi

A paulistana radicada em Belém, Vanessa Trópico (34), e o flautista Sergio Aires, de João Pessoa, foram os grandes vencedores do Edital de Fomento à Produção Literária ‘Pensadores do Choro’, promovido no final de 2014 pela #e-ditora] e a Revista do Choro.

Com a finalidade de estimular a produção intelectual literária brasileira voltada para o tema choro, a difusão de trabalhos inéditos sobre o gênero musical, assim como a de seus autores, o edital foi dividido nas categorias ‘Instrumentos no Choro’ e ‘Crônicas e Memórias’.

Vanessa Trópico foi a grande contemplada na categoria 'Instrumentos no Choro' do primeiro Edital Pensadores do Choro, promovido pela #e-ditora] e a Revista do Choro no final de 2014.

Vanessa Trópico foi a grande contemplada na categoria ‘Instrumentos no Choro’ do primeiro Edital Pensadores do Choro, promovido pela #e-ditora] e a Revista do Choro no final de 2014.

‘O Choro Marajoara de Adamor do Bandolim e um breve relato da História do Choro no Pará

Com o título ‘O Choro Marajoara de Adamor do Bandolim e um breve relato da História do Choro no Pará, a pesquisadora Vanessa Trópico foi classificada na categoria ‘Instrumentos no Choro’. Em seu texto, ela faz uma ode à atuação e à obra do chorão paraense Adamor do Bandolim.

Nascido na cidade de Anajás-PA, Adamor é músico autodidata. Iniciou sua trajetória em 1958, participando de um programa de calouros, na Rádio Difusora de Macapá. Em suas visitas a Belém, conheceu vários chorões da época, Delival Nobre, Edir Proença, Vaíco, Tota, Catiá entre outros. Em 1979 ingressou no Grupo Gente de Choro.

Participou depois de grupos como Novo Som, Sol Nascente, Manga Verde, Oficina e no folclórico grupo do Urubu do Ver-o-Peso. Em 1992, lançou seu primeiro disco em vinil, Chora Marajó. Em 1999, fez parte do do CD Choro Paraense. Participou ainda de vários projetos culturais como: Música na Praça, Preamar e Seresta do Carmo. Em 2004 gravou o CD Adamor Ribeiro – Projeto Uirapuru Vol. VII. Participou do Festival de Choro de Curitiba concorrendo com 91 músicas, ficando com o 17º lugar com a música Choro Brabo. Teve ainda seu nome incluído no livro Trilhas da Música, editado pela Universidade Federal do Pará. Foi tema de TCC das universidade Federal do Pará e Universidade da Amazônia. No ano de 2004, participou do projeto ‘Uma Quarta de Música’, no Teatro do Centur e teve suas músicas editadas em partituras pelo Instituto de Artes do Pará – IAP. Em 2006 apresentou-se em Brasília no XVI Sarau de Deputados ao lado do cantor e compositor Nilson Chaves, da cantora Andréa Pinheiro e do pianista Paulo José Campos de Melo. Em 2007, Adamor lançou o CD Choro Amazônico, patrocinado pela Petrobrás. Participou do Projeto de Música Instrumental do Interior, com patrocino da TIM. Recebeu o Prêmio Destaque da Música 2008 entregue no 22º Baile dos Artistas em Belém às vésperas de lançar o CD “Lágrimas da minha Ilha”, dedicado àquele que muito se esforçou pela região e construção do museu do Marajó em Cachoeira do Arai, o Padre Giovanni Gallo. O museu possui o maior acervo da cultura marajoara do mundo! O Chorão será enredo da Escola de Samba de Mosqueiro, ‘Universidade do Samba Piratas da Ilha’ com o enredo “Adamor do Bandolim: 40 anos de Glória e Tradição”.

Formada em Ciências Sociais com ênfase em Sociologia pela Universidade Federal do Pará – UFPA, Vanessa Trópico atua como pesquisadora externa no GEMAM – Grupo de Estudos Amazônicos da Universidade Estadual do Pará; é concluinte do Curso de Música com habilitação no instrumento de cavaquinho, ministrado pelo Instituto Estadual Conservatório Maestro Carlos Gomes; cursa também “Teoria Musical: leitura, escrita e percepção”, o qual é ministrado pela Instituição EMUFPA – Escola de Música da Universidade Federal do Pará”; e é membro efetivo da Orquestra de Choro Projeto “Choro do Pará” e do Grupo Musical “Choro Caboclo”, como cavaquinista.

Sobre o edital, Vanessa disse:

“Acredito muito no trabalho dos mestres do Choro aqui do Pará, na qualidade dos músicos. Então, na busca por informações, encontrei, no Facebook, a página da Revista do Choro e comecei a ler… Foi quando encontrei a postagem do Edital Pensadores do Choro. Achei fantástica a iniciativa e, como trabalho com pesquisa em choro, fiz um texto exclusivo para o edital. Nele, falei um pouco da história de Adamor do Bandolim, sobre o seu Choro, que é totalmente comprometido com as questões sociais e de preservação da ilha do Marajó. A música deste compositor é impregnada da vivência marajoara, é uma obra singular. Busco apresentar o Arquipélago do Marajó, o cenário onde tudo aconteceu e que tanto influência sua obra. Trago para discussão a teoria da Etnomusicologia e o processo de enculturação e de símbolos, para respaldar que sim! Sai um Marajó dele para suas composições! Abordo, ainda, o envolvimento de Adamor com os músicos da cidade, apresento depoimentos deles sobre sua obra; falo do projeto Choro do Pará e de toda luta para a perpetuação do gênero e dos belos frutos desse projeto que se transforma em uma belíssima Orquestra de Choro. O cenário musical atual também é abordado, a música como produto de consumo e onde fica o Choro nisso tudo….

Quando comecei a pesquisar o Choro, percebi que nenhum livro chegava até aqui, aliás, um livro chega a dizer “Choro no Norte”, mas trata do choro no Nordeste… Então, percebi, junto com o GEMAM, Grupo de Estudos Amazônicos do qual faço parte e que está sob a coordenação do Músico e pesquisador Dr. Paulo Murilo Guerreiro do Amaral, docente Adjunto do Curso de Licenciatura e Bacharelado em Música da Universidade Estadual do Pará, que a história desses chorões precisava ser registrada.

A grande intenção do Gemam é cartografar essas manifestações musicais aqui da região, e os chorões fizeram e fazem um trabalho muito forte, tem uma resistência. Há uma gama de chorões de alta qualidade, mas com pouca visibilidade. O mestre Adamor do Bandolim é um grande exemplo. Ainda nada foi escrito sobre esse compositor, as teses e as dissertações não chegam até aqui.

Adamor do Bandolim, lendário chorão paraense, protagoniza o texto vencedor do Edital Penadores do Choro, na categoria 'Instrumentos no Choro.

Adamor do Bandolim, lendário chorão paraense, protagoniza o texto vencedor do Edital Penadores do Choro, na categoria ‘Instrumentos no Choro.

Desejo que as pesquisas sobre o choro no Pará e no Brasil se multipliquem no sentido de chegarem e aqui no Norte. Que este trabalho sirva para ajudar ao mestre do bandolim em suas composições e produções musicais. Ele está prestes a lançar seu CD ‘Lágrimas da Minha Ilha’. Desejo que o Grupo Choro Caboclo continue a dedicação exclusiva às obras desse mestre. Por fim, agradeço muito à #e-ditora] pela iniciativa maravilhosa e pelo espaço que está dando para poderemos mostrar para todo o Brasil um pouco da história do Choro no Pará e da obra do Mestre Adamor do Bandolim”, disse a pesquisadora Vanessa Trópico.

Tudo Culpa do Choro

Este é o título do texto do paraibano Sergio Ayres (27), contemplado pelo edital na categoria ‘Crônicas e Memórias’.
Em seu texto, ele narra “como uma roda de choro tocada em Maputo, capital de Moçambique, fez com que largasse um emprego bem remunerado para estudar música. O texto trata do poder da música de transformar vidas e da importância do choro na necessária missão de contar nossa própria história.

Sergio Ayres foio a grande vencedor da categoria 'crônicas e Memórias' do primeiro Edital Pensadores do Choro, promovido pela #e-ditora] e a Revista do Choro no final de 2014.

Sergio Aires foio a grande vencedor da categoria ‘crônicas e Memórias’ do primeiro Edital Pensadores do Choro, promovido pela #e-ditora] e a Revista do Choro no final de 2014.

Nascido em João Pessoa, é tem formação em Comunicação Social. Em 2009, fez uma viagem que mudou sua vida: passou um ano morando em Moçambique. Foi lá que conheceu o choro e decidiu estudar música. Hoje, cursa bacharelado em flauta transversal.

Livro será lançado neste semestre

O lançamento do livro originário do primeiro edital Pensadores do Choro está previsto para o primeiro semestre deste ano. Os editores da Revista do Choro estão em diálogo com os contemplados pelo edital, estudando o lançamento em suas cidades. O livro terá exemplares doados à Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Crédito da Foto Sergio Ayres: Lairton Lunguinho
Crédito da Foto Vanessa Trópico e Adamor do Bandolim: Sergio Malcher

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