Cinco anos fazendo a Revista do Choro


Leonor Bianchi

Quem se recorda da revista Roda de Choro? Publicação pioneira sobre choro produzida em 1996 no Brasil, mas que não durou muito tempo, porque é claro que o trabalho é de guerrilha e ninguém se sujeita… a ralar… sem um editalzinho aqui, uma subvençãozinha acolá… e o projeto editorial já nasceu morto, pois o interesse ali não era o choro… provavelmente… Se fosse a revista existiria até hoje. Era feita por gente conhecida no meio musical, com correspondentes em vários estados! Não foi pra frente porque provavelmente ninguém quis trabalhar de graça, como eu, que faço a Revista do Choro sem recurso algum, uma vez que as assinaturas não pagam nem a conta de luz da redação. A produção de uma matéria gira em torno de R$ 1.200,00 a R$ 6.000,00, aproximadamente, e eu produzo a custo zero todo o conteúdo da revista. Já pensei em abrir uma espécie de produção de conteúdo colaborativo onde eu proporia as pautas e os leitores pagariam pela produção das mesmas de acordo com o desejo do que quisessem ler. É algo a ser estudado.

As revistas Roda de Choro na biblioteca da redação da Revista do Choro.

As revistas Roda de Choro na biblioteca da redação da Revista do Choro.

Este ano a Revista do Choro faz cinco anos e nunca teve um assinante do rol dos que faziam a revista Roda de Choro. Onde está essa turma tão militante do choro? Onde está a generosidade tão comentada como sendo a maior qualidade dos chorões? Considero o fato estranho, mas enfim… nestes últimos cinco anos eu vi tanta coisa estranha acontecer… que como diria meu saudoso pai, isso é perfumaria… perto de toda a militância e dos resultados positivos que tenho diariamente interfaceando com os leitores da revista de todas as partes do mundo. Esta semana mesmo recebi uma mensagem linda de um leitor de Sydney, na Austrália, que deseja se envolver mais com a publicação. Chegou outro e-mail também de um leitor de BSB querendo saber o nome de um choro que ouviu numa série de TV… Outro dia veio uma galera!!!! da França falar que quer uma seção na revista para falar exclusivamente sobre a cena do choro naquele país. Tem gente que me procura querendo chegar em outras pessoas que viram que já entrevistei. Aparecem estudantes de música solicitando partituras, gente querendo disponibilizar suas próprias partituras no site da revista… Tem de tudo! Uma redação com porta aberta é uma rotina incomum. Aliás, melhor dizendo, não há rotina numa redação jornalística.

É triste ver a competição entre pessoas que lutam pelos mesmos ideais. Busquei várias vezes diálogo com as pessoas que produziam a revista Roda de Choro e uma delas especialmente foi sempre muito soberba, mas não vale nem a pena mencionar o seu nome. Outras se quer me deram retorno. E teve um, que depois de me dizer que não tinha nada para falar à Revista do Choro, apareceu, na semana seguinte, no segundo caderno de um grande jornal de circulação do Rio de Janeiro, na matéria central do caderno de Cultura, ou seja, não queria falar para a Revista do Choro, mas deu uma entrevista de capa para um jornal de grande circulação…

Quando me perguntam porque o movimento do choro não evolui eu lembro sempre nesse episódio.

Eu nunca trabalhei assim, retendo informação… Boicotando o ‘meu vizinho’…

Fiz uma mostra de cinema pioneira por 10 anos aqui em Lumiar e quando os mais jovens vieram a mim pedir orientação, instrução, ou buscar inspiração para outros projetos de audiovisual que estavam produzido na região, eu prontamente me coloquei à disposição e dialoguei com todos!

No meu caso, quando me dirijo a pessoas mais experientes da ‘escola do Choro’ ou eu levo um pé na bunda, uma porta na cara, ou a pessoa tira muita onda comigo; me deixa esperando séculos uma resposta e depois aparece para dizer que não vai poder me dar a entrevista, ou eu sou logo de cara muito bem recebida e faço amizades para uma vida inteira! Ainda bem que essa última parte é a mais comum!!!

Mas… tem muita gente frustrada. Tem muita gente que queria estar em outra posição enquanto músico e não conseguiu chegar lá… e acha um absurdo uma jornalista que não tem uma relação de berço com a música escrever sobre choro. Já ouvi inúmeras vezes que é um absurdo uma mulher estar à frente de uma publicação sobre choro. Não consigo entender por que ninguém então assume essa militância! Fui justamente eu que acabei fazendo isso, uma pessoa de fora do meio, sem uma ‘escola musical’… srsr

Acho que falta grandeza de alma nessas pessoas.

Sei lá… não sei…
Sei lá… não sei, não…
Só sei que toda beleza!!!…

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