Relatório Prêmio Marcus Pereira de Pesquisa em Música Popular Brasileira


Leonor Bianchi

Onde estão os músicos que apoiam projetos de gravação de CDs através de financiamento colaborativo de outros músicos amigos? Não se inscreveram no prêmio por quê? Não acreditam em seus próprios projetos?

Gente, o prêmio nada mais é do que um financiamento colaborativo.

Eu acho que vocês não entenderam. Eu acho, não! Eu tenho certeza…

Vocês entram numa campanha de financiamento colaborativo para a gravação de um CD de um amigo músico de vocês e colaboram dando 50, 100, até mais de R$ 1.000, mas não conseguiram pagar R$ 90 para se inscreverem no prêmio que dá R$ 15 mil para vocês gravarem o próprio CD de vocês. E na verdade vocês não estão dando R$ 90, pela taxa de inscrição; esse valor é simbólico; vocês estão ganhando e não pagando, porque o prêmio dá a  assinatura anual da Revista do Choro, que custa R$ 240, e um livro (Discos Marcus Pereira: uma história musical do Brasil, André Picolotto), que custa R$ 77.

Então, de fato, não dá para entender a lógica dos amigos músicos diante do prêmio. Bilheteria só se o espetáculo for dele. Se ele tiver que pagar para entrar no espetáculo de outro músico, ele já acha caro e se nega a estar presentes na plateia e ainda saí detonando o valor da entrada da bilheteria do espetáculo do amigo.

Cada vez mais complicado entender a lógica da categoria. Só querem para si?!

Esse prêmio me dá condição hoje de estar numa posição de pós-doutorado. O que eu avaliei ao longo desses dois meses ainda não li em estudo nenhum, de pesquisador e educador musical nenhum, até hoje no Brasil. O relatório que farei após o encerramento das inscrições no prêmio envolve uma visão de gestão pública da cultura no Brasil, o financiamento do setor cultural, como os agentes de Cultura promovem a cultura em seus territórios e como os mais interessados nos programas setoriais do segmento entendem os projetos de financiamento e promoção cultural.

Até parece que um músico de carreira com três CDs gravados não precisa da quantia oferecida pelo prêmio para produzir qualquer projeto que seja.

A Revista do Choro hoje é pouquíssimo assinada por instrumentistas brasileiros e os mesmos litam a minha caixa de mensagens solicitando que eu publique na revista apresentações suas em seus projetos financiados através de leis de incentivo, e quando peço que eles fomentem a revista fazendo a assinatura da mesma, mas explicando que isso não é uma contrapartida para que eu publique seus respectivos espetáculos na revista, eles ignoram a minha comunicação, mas seguem lotando minha caixa de e-mails com sugestões de pauta dos seus respectivos espetáculos musicais, os quais já estão pagos por serem financiados por leis de incentivo, mas também contam com o cachê da bilheteria, mas para a Revista do Choro não pode ser investido um centavo desse fomento que ele recebeu da lei para desenvolver o seu projeto musical. Fica só para ele.

Aí, quando você pergunta para o agenciador desse músico se eles não deixaram uma reserva dos recursos do projeto para trabalhar a mídia,  a comunicação do projeto, eles dizem que não, que eles não precisam disso porque o músico é muito conhecido e consegue mídia gratuita. Ainda tiram onda.

É cansativo tentar dialogar com vocês e é triste ver como vocês são egocêntricos e só querem para si.

Vale lembrar que esse prêmio não é direcionado apenas para categoria dos músicos, instrumentistas… muito pelo contrário; eu quero dialogar com quem pesquisa a música e não com quem se exibe em cima de grandes palcos participando de eventos e não de projetos culturais.

Vocês, músicos de holofote, eu quero longe de mim e da Revista do Choro. O entendimento de vocês é rasteiro sobre a existência, sobre o trabalho, sobre produção cultural, e sobre música, infelizmente, que é o objeto de trabalho de vocês e o que vocês oferecem ao público.

Uma vez eu me perguntei como que um músico consegue lançar em apenas um ano três campanhas de financiamento colaborativo para o lançamento de três CDs e as três obtém pleno êxito e ele grava os três CDs em apenas um ano.

Este meu raciocínio se deu na medida em que acreditei naquele momento que esses artistas não estavam ali sozinhos fazendo essa campanha de financiamento colaborativo, mas sim financiados por uma gravadora que os estava colocando nessa posição para saber quem chegaria para apoiar a campanha, e se valeria a pena ela, a gravadora, seguir investindo nesse artista. Ou seja, no meu entendimento a campanha de financiamento colaborativo desse artista que grava mais de um CD por ano não é séria, é um projeto de marketing de uma gravadora que quer saber se o público quer ou não aquele artista na praça para que ela possa seguir investindo no mesmo.

E essa minha colocação faz todo sentido levando em conta o que eu estou percebendo com relação aos músicos diante do prêmio, ou seja, eles não estão se inscrevendo, mas financiam campanhas de amigos. Ou será mesmo que financiam, ou essas campanhas já vem financiadas e aí é um outro que dá 50 merréis e aparece no perfil do artista dizendo que ajudou e a gente acredita?

Quem está participando do prêmio é a galera da pesquisa acadêmica. Da galera da produção fonográfica, está participando quem precisa pagar direitos autorais porque está usando música em projetos que já foram gravados, produtores de filmes que usam fonogramas que também precisam ser pagos às editoras que manipulam seus direitos autorais… Mas a galera da música mesmo não está projeto participando da categoria produção fonográfica. Parece que não entenderam a proposta real do projeto. Eles apoiam outros projetos com mais dinheiro, mas não investem no seu próprio projeto inscrevendo-o prêmio.

Mas muita gente entendeu também! E é isso que faz do Prêmio Marcus Pereira de Pesquisa em Música Popular Brasileira um sucesso!♥️

Obrigada a todos os que confiaram em mim!♥️

Para conhecer o Prêmio Marcus Pereira de Pesquisa em Música Popular Brasileira clique aqui.

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