Você já ouviu a valsa ‘Rosa’, de Pixinguinha, com as três partes originais?


Leonor Bianchi

A valsa Rosa, de Pixinguinha, foi composta na primeira década do século passado, época em que não se admitia música em duas partes. O “trio”, ou terceira parte da música era obrigatório.

O Choro ‘Carinhoso’, também de Pixinguinha, ficou na gaveta anos porque o velho chorão tinha vergonha de mostrar músicas só com duas partes. Enfim… não era bem aceito.

Pixinguinha, ‘naquele tempo’, era o maior flautista de Choro e já compositor laureado, viria a ser primeiro arranjador brasileiro contratado no país e compositor de inúmeros sucessos.

O jovem Pixinguinha compunha sem parar e sua valsa ‘Evocação’, nome original da valsa Rosa, era uma das mais belas de suas criações. Em 1917 Pixinguinha gravou a ‘Evocação’, rebatizada de ‘Rosa’ e com as três partes que compôs: a primeira em fá maior, a segunda em lá menor e a terceira em si bemol. Foi sucesso imediato! A melodia linda tomava conta dos corações de quem a ouvia.

A história desta valsa é bem interessante… Um dia, Pixinguinha foi bater seu ‘ponto’ num botequim e lá conheceu Otávio Souza, um mecânico nascido em Nova Friburgo e morador do Engenho de dentro, que era apaixonado pela sua valsa. Sabia toda a melodia de cór e ainda tinha uma letra para a melodia que não saía de sua cabeça. Cantarolou a letra pra Pixinguinha e tornou-se parceiro do mestre chorão ali, naquele momento.

Pixinguinha adorou a letra e nem ligou para o fato de que o novo parceiro não tivesse letrado a terceira parte.

Pois bem, a partir de então a letra tornou-se indissociável da melodia e gravações aos borbotões foram feitas a partir do registro de Orlando Silva, com um detalhe: só se gravou a partir de então as duas primeiras partes da valsa, relegando a melodia da terceira ao esquecimento.

Apresento aqui a valsa ‘Rosa’ com suas três partes compostas por Pixinguinha. A melodia tem pequenas modificações, pois quando ganhou letra algumas notas foram trocadas ou suprimidas.

Ouça a gravação original, de 1917, com Pixinguinha, e a interpretação de Jacob do Bandolim. As duas gravações têm a melodia original e as três partes compostas por Pixinguinha.

Apresento, ainda, a gravação de Orlando Silva, de 1937. Primeira vez que a letra foi gravada.

Gavações da valsa ‘Rosa’ de Pixinguinha.

A primeira gravação com Pixinguinha e seu conjunto.

A segunda gravação apresentada pertence ao acervo do pesquisador Luciano Hortêncio. Jacob do Bandolim na Rádio MEC.

Gravação de Orlando Silva, de 1937. A primeira gravação com a letra. Reparem que a terceira parte é deixada de lado, o que acabou acontecendo com todas as gravações a partir de então, até com as gravações instrumentais da valsa!